O Vereador Lano Matias, do município de Ariquemes, publicou um vídeo, em suas redes sociais para prestar os devidos esclarecimentos à comunidade sobre os recentes acontecimentos envolvendo uma operação policial em seu gabinete e seu posicionamento em relação ao projeto de permuta de terrenos públicos.
Em seu pronunciamento esclarece:
1. Sobre a Operação Policial
O Vereador confirma que houve uma operação policial em seu gabinete, na qual foi apreendido seu aparelho celular. Reitera que está à disposição das autoridades e que o processo, ao qual teve acesso, não contém qualquer irregularidade de sua parte ou de seus assessores. O número de seu celular já foi recuperado e permanece disponível para a comunidade.
2. O Projeto de Permuta de Terrenos
O cerne da questão reside em um projeto de lei, apresentado pela Prefeitura Municipal no final de 2024, que propunha a permuta de dois terrenos públicos de alto valor por uma chácara na Linha Gaúcha, destinada à construção de um futuro cemitério. De acordo com o parlamentar, a permuta era extremamente desvantajosa para o município, configurando uma troca de bens milionários por um imóvel de valor significativamente inferior.
3. Posicionamento Contrário e Denúncia
O Vereador Lano Matias, na época relator do projeto, emitiu parecer contrário à permuta.
O Vereador reitera que seu posicionamento é contra a troca de terrenos públicos por uma chácara sem a infraestrutura necessária para um cemitério, citando a falta de asfalto e acesso, e a inviabilidade de velar um familiar em uma “linha de barro”.
O parlamentar também menciona que denunciou o projeto no Ministério Público e no Tribunal de Contas.
4. Alegações de Corrupção e Inquérito
O Vereador esclarece que o proprietário da chácara, registrou uma ocorrência em janeiro de 2025, alegando que o Vereador estava “travando a votação” do projeto.
- Esclarecimento: O jurídico da Câmara havia orientado a não votar projetos de doação ou permuta em período eleitoral, o que descaracteriza a alegação de “travamento”.
- Tentativa de Corrupção: O Vereador afirma que o dono do terreno enviou pessoas para falar com seus assessores, perguntando o que ele “queria”, o que foi prontamente rechaçado pela equipe.
- Visita Pessoal: O Vereador confirma que o dono do terreno foi à sua casa para “oferecer alguma coisa”, mas foi repreendido e orientado a avaliar a chácara pelo valor correto, pegar o restante do dinheiro e devolver à prefeitura para investimento em instituições.
- Inquérito: O Vereador lamenta que o inquérito, iniciado com base na ocorrência de 2024, tenha sido “alimentado” com informações de um novo projeto (2025), e que pessoas honestas e empresários que tinham o direito de preferência na compra do terreno público tenham tido seus nomes envolvidos.
O Vereador reforça que esta não é uma “briga de ego”, mas sim uma fiscalização de documentos e uma defesa do patrimônio público do município.
Entenda o Caso
A Polícia Civil do Estado de Rondônia (PCRO) deflagrou na última terça-feira (18), a Operação Solo Corrompido, que investiga um esquema de corrupção e outras práticas criminosas envolvendo agentes públicos e particulares.
A operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em residências, órgãos públicos e outros endereços ligados aos envolvidos.
De acordo com as investigações, o grupo estaria cobrando uma propina de R$ 80 mil para aprovar um projeto de lei relacionado à construção do novo cemitério municipal de Ariquemes. A negociação envolveria ainda a escolha de um terreno que seria permutado na cidade.
A Polícia Civil informou que, dentro dessa área, havia inclusive uma pessoa residente no local, que deveria assinar procuração e permitir o desmembramento do terreno para viabilizar o esquema.
Um dos elementos mais fortes da investigação é uma gravação feita pela própria vítima, registrada durante uma reunião com o vereador. No áudio, o parlamentar aparece cobrando o valor da propina e discutindo detalhes da transação.
Celulares, documentos e outros materiais foram apreendidos para aprofundar a análise da Polícia Civil.



